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sábado, 1 de novembro de 2008

Breve história da Imprensa: dos primórdios à lógica do Capital

O jornalismo é uma profissão relativamente nova, pois foi durante o século XVIII que passou a ser possível sobreviver economicamente da prática jornalística. Entretanto, a capacidade do homem de se comunicar e informar o seu semelhante data de milênios atrás. Os primórdios do jornalismo baseiam-se na comunicação oral, que exigia a capacidade de memorizar relatos épicos, genealogias, relações de bens e relatos míticos remetentes a fundação de um povo. Nesse contexto, encontra-se a Bíblia que começou como um relato oral e só foi passado para o suporte escrito a partir do século VIII a.C. Com o desenvolvimento da escrita e a criação de um alfabeto pelos fenícios, passou a ser possível gravar mensagens em suportes sólidos. O alfabeto então foi adaptado pelos romanos, árabes e hebreus. Os romanos possuíam uma publicação regular durante o império, as Acta Diurna, que traziam fatos diversos, notícias militares, obituários, avisos e ordenamentos do império. Essas Acta Diurna eram colocadas no espaço público sobre murais, e podem ser consideradas o primeiro jornal regular que se tem notícia. A imprensa como conhecemos só seria possível séculos mais tarde, pois nos primórdios do jornalismo ainda não era possível reproduzir diversas vezes uma mesma publicação.

A história do jornalismo moderno confunde-se com a ascensão de uma nova classe social, a burguesia. Essa nova classe, basicamente formada por comerciantes e profissionais liberais, possuía boa parte do capital, mas não tinha o poder político. Foi através do comércio organizado que a burguesia ascendeu. Com o primitivo capitalismo financeiro e mercantil que a partir do séc. XIII se expande dos Estados do Norte da Itália para a Europa ocidental e setentrional, se formaram as feiras comerciais, que dariam lugar aos mercados. Esse comércio incipiente tinha a necessidade da troca de informações comerciais, que eram transmitidas através de cartas comerciais.

Práticas do capitalismo financeiro já eram vistas em letras de câmbio e ordens de pagamento, que já eram usuais nas feiras de Champange, no séc XIII. Com o desenvolvimento dessas feiras em mercados periódicos e bolsas, estabeleceu-se uma rede horizontal de dependências econômicas que fazia um contraponto às relações verticais de dependência vivida no modo de produção feudal. O comércio passou a ser praticado a distância e as cidades passaram a funcionar como bases de operação do mercado.

Com esse renascimento comercial e urbano, orientado pelo mercado, e inserido em uma malha horizontal de troca de mercadorias, era necessária a criação de uma rede de câmbio de informações. A partir do século XIV a antiga troca de cartas comerciais foi transformada em um sistema corporativo de correspondência, a tradição romana dos correios seria retomada. Essas cartas, porém, não tinham publicidade, eram de caráter privado e a sua não publicação era de interesse dos próprios comerciantes, que não queriam que todos tivessem acesso às importantes informações comerciais contidas nas cartas.

Durante os séculos XV e XVI o mundo passou por diversas mudanças determinantes, o pensamento humanista se difundiu e a ordem social aos poucos se reorganizou. A burguesia enriquecida pela fase mercantilista do capitalismo foi o principal personagem dessas transformações. Esse foi um período de grande efervescência, o homem reorganizava seu pensamento, passando de Teocentrista para Antropocentrista. Graças a essa nova maneira de encarar o mundo, foram possíveis um melhor desenvolvimento das ciências e a invenção de diversos instrumentos que viriam facilitar a vida do homem moderno. O desenvolvimento da imprensa de tipos móveis por Gutemberg se encontra inserida nesse contexto. A imprensa de Gutemberg foi um ponto determinante na história do jornalismo, pois com ela passou a ser possível reproduzir diversas vezes a mesma publicação. Entretanto a imprensa só foi utilizada para a confecção de jornais 150 anos mais tarde.

Com a consolidação do modo de produção capitalista no século XVII, a afirmação da burguesia como uma classe detentora de poder econômico e principal colaboradora desse novo modo de produção, a ordem social da época se reconfigurava. Instituía-se uma esfera pública de caráter burguês que ainda era subordinada aos órgãos do poder público. Segundo Habermas, dentro dessa lógica surgiram os primeiros jornais:

"Em sentido estrito, os primeiros jornais, por ironia também chamados de "jornais políticos", aparecem de início semanalmente e, lá pela metade do século XVII, já aparecem diariamente. [...] Os beneficiários das correspondências privadas [os comerciantes] não tinham interesse em que o conteúdo delas se tornasse público. Por isso, os jornais políticos não existem para os comerciantes, mas, pelo contrário, os comerciantes é que existem para os jornais. Eram chamados de custodes novelarum (guardiões das novidades) entre os contemporâneos, exatamente por causa dessa dependência do noticiário público para com o seu intercâmbio privado de informações." (HABERMAS,1984, p.34)

As informações contidas nesses “jornais políticos” eram notícias menos importantes do comércio, informações sobre o estrangeiro, sobre a corte, e um repertório folhetinesco como: curas miraculosas, dilúvios, assassinatos, epidemias, incêndios. Viu-se no intercâmbio de informações uma forma de gerar capital, a notícia passou a ser mercadoria.

"O processo de informação profissional está sujeito às mesmas leis do mercado, a cujo surgimento elas devem, sobretudo, a sua existência. Não por acaso, os jornais impressos desenvolvem-se freqüentemente a partir dos mesmos escritórios de correspondência que já providenciavam os jornais manuscritos. Toda informação epistolar tem o seu preço; está, portanto muito próximo querer aumentar o lucro mediante o aumento de tiragem. Já por isso, uma parte do material noticioso disponível é periodicamente impresso e vendido anonimamente - passando a ter, assim, caráter público." (HABERMAS, 1984, p. 35)

Reconhecendo a utilidade da imprensa dentro da sociedade, a administração pública passou a dar apoio e utilizá-la para dar ordens e baixar resoluções. Seu público era constituído pelas camadas cultas da sociedade, organizando assim uma esfera pública que estava longe de atingir as camadas populares, iletradas na época e excluídas da formação dessa esfera pública desde o princípio. A opinião pública da época era a resultante dos debates realizados entre intelectuais burgueses e herdeiros da aristocracia humanista na esfera pública literária que se instalava nos “cafés” europeus.

Tabela 1

Modelo habermasiano de uma esfera pública burguesa do séc. XVIII

Setor Privado Esfera do Poder Público

Sociedade Civil Esfera pública Estado
(setor da “polícia”)
(setor da troca de mercadorias e política de trabalho social)


Esfera pública literária
(clubes, imprensa)

Espaço íntimo Corte
da pequena família (Mercado de bens Culturais)
(intelectualidade burguesa) (sociedade da aristocracia da corte)



De acordo com a tabela 1, a esfera pública do século XVIII situa-se entre o setor privado (Sociedade Civil) e o poder público (Estado). Essa esfera pública política defende os anseios da sociedade privada diante dos interesses do Estado. A burguesia apoiada no princípio da igualdade, defendia a idéia que todos poderiam obter as qualificações necessárias de formação educacional e cultural de um público crítico e, assim, participar da organização de uma opinião pública, interferindo diretamente na administração estatal. Essa definição burguesa de “opinião pública” não respeita as limitações de classe existentes no período.

Dentro dessa lógica social constituída por uma esfera pública de caráter classista, formava-se o palco para finalmente essa classe detentora de poder econômico pudesse fazer sua revolução e obter o poder político. O pensamento Iluminista encontrou grande espaço nessa esfera pública e passou a desenhar sua revolução, defendendo ideais tidos como “universais”, mas que expressavam o interesse da camada burguesa da sociedade. “Só eles [proprietários] tinham, toda vez, interesses privados que automaticamente convergiam nos interesses comuns da defesa de uma sociedade civil como esfera privada. Com isso, só deles é que se podia esperar uma representação efetiva do interesse geral. [...] O interesse de classe é a base da opinião pública”.(HABERMAS, 1984, p.108).

Para fazer a revolução foi preciso alinhar-se com o povo. Para isso foram usados panfletos ilustrados, já que as camadas populares não eram alfabetizadas. Na perspectiva revolucionária, o “jornalismo opinativo” abria espaço para a reclamação de poder político por parte da burguesia, como também, colocava em pauta a opinião pública (de caráter burguês). A imprensa inserida nessa efervescência política do período fazia o papel de mediadora e potencializadora de discussões políticas. Isso é observado em momentos revolucionários como na Paris de 1789, onde diversos grupos políticos possuíam seus jornais e clubes de discussão. Contava-se 450 clubes e mais de 200 jornais. Nessa perspectiva, a imprensa cumpri o papel de afirmar a função crítica do público leitor, o capital só é inserido em um segundo plano. Em geral, esses jornais são deficitários. As publicações jornalísticas não opinativas, ao velho estilo praticado anteriormente, eram diminuídas a meras empresas e estavam sujeitas à interdições das autoridades políticas.

“Os jornais passam de meras instituições publicadoras de notícias para, além disso, serem porta-vozes e condutores da opinião pública, meios de luta da política partidária”. (Bücher apud Habermas, 1984, p.213).

Com a consolidação do Estado de Direito Burguês, essa imprensa crítica poderia ser incorporada pelo mercado visando o lucro. Na França, Inglaterra e Estados Unidos, a evolução da imprensa politizante para uma imprensa comercializada ocorreu mais ou menos durante os anos 30 do século XIX. Com a possibilidade de venda de espaços nos jornais para a colocação de anúncios, os editores viram uma grande oportunidade de mudar a base de cálculos e atingir um lucro maior. Não demorou muito até que os velhos editores ainda não inseridos nessa nova perspectiva da imprensa quisessem se reorganizar de maneira a gerar lucro. Já na metade do século havia uma série de empresas jornalísticas organizadas como sociedades anônimas.

Nos séculos XVIII e XIX se desenvolveu também o modo de produção industrial, ou seja, a lógica do capitalismo deixou de ser simplesmente comercial. A revolução industrial trouxe uma nova maneira de organização social e exploração do trabalho. As indústrias e a produção em massa se proliferaram, sempre visando a maximização dos lucros. Nesse contexto foram inventados diversos instrumentos que mudariam a imprensa novamente, como o telégrafo, que evolucionou todo um sistema de troca de informações, diminuindo as distâncias e facilitando a atividade jornalística; o aperfeiçoamento das rotativas, que aumentou a capacidade de tiragens e diminuiu o tempo de impressão; e o aperfeiçoamento da fotografia. Para se ter uma idéia, em 1814 o Times já era impresso nas novas máquinas que viriam substituir a imprensa de Gutenberg. De acordo com Habermas, dessa forma, os jornais se tornaram empresas privadas comercializadoras de notícias.

[...] o jornal acaba entrando numa situação em que ele evolui para um empreendimento capitalista, caindo no campo de interesses estranhos à empresa jornalística e que procuram influenciá-la. Desde que a venda da parte redacional está em correlação com a venda da parte dos anúncios, a imprensa, que até então fora instituição de pessoas privadas enquanto público, torna-se instituição de determinados membros do público enquanto pessoas privadas, ou seja, pórtico de entrada de privilegiados interesses privados na esfera pública. (HABERMAS, 1984, p.217).

Nesse contexto de mudanças políticas, econômicas e sociais do período, desenvolveu-se um novo tipo de jornalismo, o “jornalismo informativo”. Ele está diretamente vinculado àquele praticado nos nossos dias. Prima a objetividade (como veremos mais adiante num estudo de caso) e a imparcialidade do jornalista. Veio para atender as demandas por informações do novo público pós- revolução industrial (já com índice de alfabetização maior).
Essa nova maneira de fazer jornalismo colocou o jornalista como um agente responsável por informar a sociedade. A empresa jornalística dependente de seus anunciantes, com interesses privados que pressionavam e influenciavam no material publicado, passava então a pautar a opinião pública.

Com esse breve histórico fica evidente que a relação entre imprensa moderna, mercado e interesses privados não é um problema atual. O jornalismo moderno obedeceu as mudanças provocadas pela evolução do capitalismo nas ordens política, econômica e social.

Fichamento - Wilheim Reich - Psicologia de Massa no Nazismo

- O autor abre o texto mostrando a “Teoria Racial” aplicada no nazismo. Mostra a idéia de que a ideologia econômica e social do 3° Reich era organizada em volta dessa superioridade racial ariana. Tudo gira para proteger a raça superior e garantir a pureza da raça ariana que segundo essa teoria é a raça com a missão de governar, justificando assim a expansão do reich.

- Essa teoria parte da hipótese da “lei de bronze” da natureza, onde o acasalamento exclusivo de cada animal com a sua própria espécie constituí essa lei. A natureza quer a pureza racial e garante essa superioridade da espécie através da seleção natural, na seleção da briga pelo pão de cada dia. O nazismo buscou transportar essa hipótese para os povos.

- Wilhem Reich mostra que só através da objetividade é possível combater as idéias fascistas para um fascista apaixonado. Ele divide como funções objetiva ( tapar com manto biológico as tendências imperialistas) e função subjetiva que consiste em exprimir certas correntes afetivas, inconscientes, nos sentimentos do nacionalista e de esconder atitudes psíquicas determinadas. Resumindo, ele através dos próprios preceitos nazistas busca contradições para mostrar como as idéias fascistas são absurdas.

- O fascismo é dominado por ideais abstratos, éticos, e pela crença na missão divina do Fuhrer . Essa identificação com o líder gera uma reprodução da imagem do Fuhrer em cada cidadão alemão. Criam-se pequenos Hitlers. Para mostrar à todos como todos esses pequenos hitlers são julgados como sub-homens pelo próprio sistema é preciso determinar o seu conteúdo afetivo e colocar os pontos de junção ideológico-sexuais do processo da formação das ideologias

- Algo impressionante é a assimilação estereotipada da expressão “envenenamento da raça” com “envenenamento do sangue”. Através de tal idéia o autor desenvolve um tópico de seu texto mostrando o traço de ligação afetiva na questão da sífilis e do sexo. Mostra trechos de Hitler falando de herança da doença por vícios dos pais e de como essa mistura de raças gera uma contaminação na raça superior. Essa teoria mostra um envenenamento político e moral atribuído ao judeu-internacional Karl Marx, ou seja, através desse misticismo Hitler consegue imprimir de maneira sutil um teor político em seu discurso.

- Wilhem coloca trechos da obra de Rosenberg ilustrando o misticismo fascista e comentando suas raízes e falhas. Rosenberg defende a idéia de que alguns deuses gregos eram puros e representavam a raça nórdica e que os deuses vindos do leste, deuses etruscos em sua origem, eram estrangeiros e contaminaram a pureza dos deuses gregos. É facilmente observado o absurdo de classificar deuses gregos entre estrangeiros e gregos, sendo que todos eles fazem parte da cultura grega.

- A sociedade na Alemanha Nazista era monogâmica e patriarcal, com diversos limites sexuais e valores éticos e morais que envolvem tal questão.
Esse modelo se encaixa com a presença da propriedade privada e do capitalismo financeiro presente no reich. Uma sociedade patriarcal onde a propriedade do sexo é privada e existem inúmeras repressões sexuais dentro da classe dominante, naturalmente buscará explorar a falta de “moral sexual” das classes inferiores e tirar algum proveito dessa exploração. Isso tudo ilustra bem como esse modelo ético sexual cabe perfeitamente na sociedade alemã do 3° Reich.

- As classes inferiores sem uma moralidade sexual, representam uma ameaça ao sistema regente e à classe dominante pois dentro de todos existe despudor sexual que é reprimido pelo capitalismo. A partir do momento em que todos descobrem esse dragão adormecido dentro de si, a sociedade muda e se transforma em algo mais igualitário e matriarcal onde todos tem igualdade de explorar sua sexualidade. Isso é claramente transposto para o plano político representando uma grande ameaça a forma como essa sociedade patriarcal é organizada. Até os dias de hoje isso representa uma ameaça pois não rompemos com esses preceitos morais nessas questões que formam um microcosmo da organização de nossa sociedade desigual e exploratória.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Fichamento: “O Estado e Indivíduo sobre o Nacional Socialismo”, encontrado no livro “Tecnologia Guerra e Fascismo” de Marcuse

- O nacional socialismo não pode ser considerado uma revolução, pois não alterou a estrutura do processo produtivo, alguns grupos sociais ainda mantiveram o controle dos instrumentos de trabalho, não fazendo seu uso para o interesse geral da sociedade. A economia no Terceiro Reich era organizada em torno de grandes conglomerados industriais apoiados pelo governo, eles expandiram seus domínios antes mesmo da ascensão de Hitler ao poder.
- No regime nacional socialista o exército figura como um “Estado dentro do Estado”. Reorganizado segundo princípios mais democráticos de seleção, ele se afastava da organização que tinha no antigo Reich.
- Dentro do regime, empresário e operário são unidos na Frente Operaria Alemã, submetidos as mesmas regras de comportamento que os operários, os empresários acabaram por perder seus privilégios.
- O nacional socialismo liquidou as características essenciais do Estado Moderno, abolindo qualquer separação entre Estado e sociedade. O regime tendia ao autogoverno direto e imediato dos grupos sociais dominantes sobre o resto da população.
-A manipulação das massas visava libertar os instintos mais brutais e egoístas do indivíduo.
- Domínio da lei, monopólio do poder coercitivo e soberania nacional foram as três características abolidas pelo nacional socialismo. A lei não era algo universal e aplicável a todos igualmente, em seu lugar existiam direitos particulares diferentes: para o partido, para a indústria e para o “Volksgenossen” (camarada) comum.
- O Estado em si não era totalitário, mas a totalidade se encontrava no movimento nacional socialista. Segundo Hitler, o Estado não era um fim, mas um meio para a formação de uma cultura humana superior.
- Nesse período pós primeira guerra, a Alemanha perde seu mercado externo, tem seu mercado interno reduzido e ainda conta com uma legislação social, que combinada com os outros fatores impedia a utilização lucrativa de sua crescente indústria. Detectava-se a volta de uma política imperialista, o livre capitalismo não daria conta de transformar o Estado. O Estado democrático precisava ser transformado em autoritário para atingir suas metas.
- Hitler baseava-se no principio da eficiência, onde os indivíduos recebem uma parte na produção social baseada no seu desempenho na luta competitiva. Ele pregava uma “competição implacável”, vale tudo, desde que se mantenha dentro do padrão social estabelecido.
-A primeira tarefa do nacional socialismo era devolver o posto de poderoso concorrente no mercado internacional
- As relações econômicas deveriam ser transformadas em políticas, a expansão e dominação do Estado seria um agente executivo da economia. O Estado tomou para si a tarefa de criar um novo espaço para a iniciativa do empresário.
- O Estado deveria identificar-se diretamente com os interesses econômicos predominantes e ordenar as relações sociais de acordo com suas necessidades.
- Para atingir seus objetivos, o partido oferecia um aparato terrorista indispensável. Supervisionava a educação e o treinamento dos jovens, monopolizava o poder da polícia secreta e normal, alterava a lei de acordo com seus interesses, além de criar e perpetuar a ideologia oficial. A grande burocracia aplicada gerou muitos empregos e criou uma nova elite que se alia aos capitães da indústria.
- As forças armadas possuíam uma independência em relação ao partido, mas nem por isso deixavam de trabalhar em conjunto, ambos com interesses imperialistas.
- O Estado tinha uma soberania tripartite: Partido, indústria e forças armadas, dividindo o monopólio do poder coercitivo.
- A harmonia entre as três hierarquias era encontrada na figura do Fuhrer. Ele é o mediador das forças rivais. Sua decisão não era livre, pois ele tem sua origem ligada a filosofia e política dos grupos imperialistas dominantes a quem ele serviu. Ele é aceito como líder pois ele tinha o poder de dominar as massas e era um símbolo de eficiência. Os dirigentes da Alemanha não acreditavam em ideologias, mas sim na eficiência do Fuhrer.
- A eficiência nacional socialista estava totalmente a serviço da expansão imperialista, operando através do empobrecimento e repressão em escala internacional. Estados satélites deveriam alimentar a “raça superior”.
- O terror era também aquele terror legalizado menos visível, o da burocratização.
- Uma racionalidade técnica foi aplicada para dominar as massas, ela operava de acordo com padrões de eficiência e precisão. Tudo era minuciosamente controlado para a manutenção do aparato de dominação, onde a burocratização era um excelente instrumento.
- O Estado – uma maquina. Definição materialista que reflete melhor essa realidade nacional socialista.
- O Estado nacional socialista é o governo das forças econômicas, políticas e sociais hipostasiadas.
- A base energética de todo esse Império era o individuo. A evolução máxima do ser humano era buscada. Todos deveriam ter a oportunidade de ascender através de suas próprias habilidades. Empresa e nação trabalham em conjunto. “Einsatz”.
- O controle nacional socialista tende a abolir ou corrigir os mecanismos que poderiam impedir uma concentração de riquezas. Tudo deveria ser feito em prol do Reich.
- O regime era marcado pela separação de trabalhadores e fábricas, tudo era divido, uma fábrica era afastada da outra e dentro de cada uma os trabalhadores também deveriam ser divididos. Salários e condições de trabalho eram segredos militares, e sua revelação era considerada traição.
- Tudo era feito em massa, trabalho em massa, descanso em massa e férias em massa, tudo organizado e controlado pelo Partido.
- Tudo era realizado para gerar cada vez mais força de trabalho (bem mais valioso do indivíduo), depois de estudos, o lazer foi apontado como um bem para gerar força de trabalho, sendo assim, o Partido não mediu esforços para proporcionar isso ao povo.
- A privacidade era combatida. Um indivíduo não poderia ficar ‘”sozinho consigo mesmo”, para não “pensar na vida”.
- O nacional socialismo transformou o sujeito livre em economicamente seguro; eclipsou o perigoso ideal da liberdade com a realidade protetora da segurança. Essa segurança está ligada diretamente com a escassez e a opressão.
- Alguma liberdade deveria ser dada, nem que seja virtual, para isso houve a “abolição dos tabus amplamente aceitos”. Onde a quebra de certos tabus foi apoiada pelo partido. Esses tabus eram basicamente cristãos, como de castidade e monogamia. A procriação interessava ao partido, gerava força de trabalho e mercado consumidor. Houve todo um culto ao sexo. Prêmios por dar a luz a um bebê foram distribuídos.
- Indivíduos cujo prazer mais íntimo é estimulado e sancionado pelo Estado são propensos a se tornarem seus obedientes e seguidores.
- Uma falsa liberdade foi dada à população.
- A juventude, uma possível ameaça ao regime, era controlada através da educação e do culto ao sofrimento. Os jovens se identificavam com a figura do Fuhrer e com os ideais perpetuados por ele. Estímulos para a rebelião e protesto foram transformados em estímulos para a coordenação.
- O fascínio, a beleza e a licenciosidade das representações nacional-socialistas conservam as características da submissão e da dominação.

sábado, 25 de outubro de 2008

Mass Media - Industria Cultural

Mass Media – Indústria Cultural

Robert K. Merton e Paul F. Lazarsfeld tomam o conceito de “mass media” como ponto de partida de seu artigo, adeptos da corrente funcionalista norte-americana, eles defendem a idéia de que a mídia tem um papel importante no meio social de um sistema. Com isso, o “mass media” gera grandes preocupações em torno da questão social. Temendo a ubiqüidade e o poder em potencial desses meios, a perda do senso crítico e a entrega ao conformismo, como também a deterioração dos gostos estéticos e culturais da população, os autores fazem uma analise crítica desse fenômeno.

Já Adorno aborda o mesmo tema, mas de forma diferenciada, mudando o nome do conceito (mass media) para “indústria cultural”, termo esse criado por ele e Horkheinmer em 1947. “Indústria cultural” pois a antes chamada cultura de massas pode soar como se surgisse espontaneamente do povo, contrariando assim todo o conceito dessa definição.Para ele, essa veiculação da cultura é algo verticalizado, cumprindo um movimento que vai de cima (poderosos) para baixo (povo), tendo o consumidor como apenas um objeto e a cultura como fonte de lucro.

Adorno coloca a mídia como importante ferramenta de controle social, essa “cultura” que é dada as massas funciona como uma espécie de estribo, de modo a condicionar o povo a um conformismo e manter a ordem estabelecida. Quem possui o controle desses veículos sabe canalizar as informações seguras e necessárias que podem e devem ser dadas. A “indústria cultural”, funciona como mecanismo de manutenção da estrutura sócio-cultural vigente, não criando nada de novo, somente canalizando os modelos já estabelecidos e apontando-os nas direções desejadas. Merton e Lazarsfeld explicitam essas idéias em seu artigo, Adorno também mostra que o que é veiculado está diretamente ligado com o status-quo, incluindo a seguinte citação em seu artigo: “ tu deves submeter-te”.

Sendo Adorno marxista, seu texto é carregado de críticas ao sistema e aos meios de comunicação atuantes. Merton e Lazarsfeld apresentam um texto mais descritivo a respeito do fenômeno do “mass media”. Até na forma de escrever essas diferenças podem ser facilmente notadas, enquanto Merton e Lazarsfeld possuem um discurso acadêmico e técnico, Adorno adota um discurso mais livre e crítico.