retirado do sítio http://altamiroborges.blogspot.com/
por Altamiro Borges
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, tem feito violenta pressão sobre o governo Lula para reverter a decisão – legal, legítima e soberana – de conceder asilo político ao escritor Cesare Battisti. O jogo é sujo, bem ao estilo do neofascista que hoje comanda a Itália. Neste esforço, ele tem o apoio de parte da mídia brasileira, sempre tão servil às potências capitalistas. A pressão é pura bravata. O midiático Berlusconi tenta reviver os piores instintos do período da “guerra fria” para alimentar falsos sentimentos nacionalistas e ofuscar os efeitos da crise econômica no país.
Um amigo ítalo-brasileiro, sempre bem informado, mas que prefere o anonimato, realizou rápida pesquisa que comprova a “dupla moral” de Berlusconi. O primeiro-ministro seria “extremamente seletivo em exercitar pressão política para obter a extradição de réus ou condenados pela justiça italiana que se encontram em outros países”. Há cerca de 50 foragidos italianos com pedidos de extradição em várias partes do mundo, mas o escarcéu nem se compara ao promovido contra o governo Lula. Entre os casos pesquisados, um é bastante revelador do cinismo de Berlusconi:
Advogado dos terroristas de direita
O caso emblemático envolve Delfo Zorzi, 62 anos, ex-líder da seita neofascista “Ordine Nuovo”, que promoveu, nos anos 60 e 70, inúmeros atentados à bomba, “beneficiando-se da proteção do serviço secreto italiano que, por sua vez, tinha ligações com as ‘operações encobertas’ da CIA no país”. A agência dos EUA implantou na Itália, na década de 50, uma rede clandestina chamada “Gládio” para realizar atentados e organizar milícias armadas. Zorzi foi condenado em primeiro grau, e depois absolvido, pelo atentado da Piazza Fontana, em Milão, em 1969, que resultou em 17 mortos e 84 feridos. Atualmente, está sendo processado pelo atentado em Brescia, em 1974, contra uma manifestação sindical antifascista, que causou oito mortes e mais de 90 feridos.
Zorzi vive há anos no Japão, onde se naturalizou e tornou-se um rico empresário do setor têxtil. “O pedido de extradição feito ao Japão jamais foi atendido, nem o governo italiano fez muito para isso. Detalhe: o defensor de Zorzi é o advogado (e deputado do ‘Forza Itália’, partido do governo) Gaetano Pecorrella, que vem a ser também um dos advogados pessoais do próprio Berlusconi. Outro detalhe: vários ex-integrantes do ‘Ordine Nuovo’ são hoje militantes da AN (o partido herdeiro dos neofascistas do Movimento Sociale Italiano – MSI) e da ‘Lega Nord’, um partido xenófobo. NA e Lega são aliados de Berlusconi e integram seu governo”.
Protetor dos agentes da CIA
Num caso mais recente, que também evidência a “dupla moral” do primeiro-ministro, juízes de Milão solicitaram, em 2006, a extradição de 26 agentes da CIA que seqüestraram o egípcio Abu Omar, acusado de ligações com Al Qaeda. Ele foi uma das vítimas da “extraordinary renditions”, as prisões ilegais efetuadas pela CIA durante a “guerra global contra o terror” patrocinada pelo ex-presidente Bush. Omar foi detido ilegalmente na Itália e torturado durante meses em prisões clandestinas. Pela lei italiana, o seqüestro é considerado uma grave violação do código penal do país e da convenção européia dos direitos humanos, que proíbe prisões ilegais e torturas. “Até agora, o governo italiano não moveu uma palha para obter a extradição dos agentes da CIA”.
Berlusconi é realmente seletivo. Não faz qualquer alarde contra os asilados políticos da extrema-direita nem contra os agentes da CIA que invadiram ilegalmente o país. Também evita confusão com os governos europeus, que nem levam a sério este fanfarrão neofascista. O barão da mídia italiana, hoje primeiro-ministro, faz escarcéu contra o Brasil, procurando desqualificar o governo e a justiça brasileira. Ele sabe que conta com o apoio da direita nativa e da mídia, que tudo fazem para atacar o presidente Lula. É puro jogo de cena, que visa reforçar as tendências fascistizantes em curso na Itália. Não é de estranhar a ironia que os romances de Battisti sejam publicados no país pela Editora Einaudi, de propriedade de Berlusconi. Ele é, de fato, um cínico midiático.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Mais uma vítima de xenofobia na Europa
Não é de hoje e nem só no Velho Continente que a xenofobia é praticada. Em especial, em meio à crise financeira os países tendem a se fechar, proteger seu "patrimônio". Assim, muitas vezes esse medo de perder tudo e o anseio por mais segurança acabam impulsionando manifestações xenófobas. Vale lembrar que o desemprego do "colarinho branco" já colaborou com a ascensão do fascismo nesse mesmo continente.
Vítima de preconceito na Itália, hoje de Berlusconi e ontem de Mussolini, o jogador brasileiro Amauri (centroavante da Juventus de Turim) declarou em entrevista à revista semanal Gioia:
"Também aconteceu comigo. Faz algum tempo, em uma loja me acusaram de ter tentado roubar uma baguete de pães. Eu estava apoiando [a baguete] sobre uma plataforma perto da saída, a porta automática se abriu e a dona queria chamar a polícia. Eu não havia feito nada, simplesmente era estrangeiro e não falava um italiano perfeito"
Para quem tem memória e um pouco de bom senso é no mínimo absurdo qualquer ato de xenofobia. A Itália, por exemplo, foi unificada em 1871. Até então não existia o idioma italiano e muito menos um cidadão italiano. Berlusconi, a exemplo de Mussolini, retoma um "mito fundador" italiano, no qual a Itália é herdeira direta dos etruscos - povo fundador de Roma. Isso é no mínimo estúpido se colocarmos a cabeça pra trabalhar. Vamos lá, quantos "não etruscos" passaram pela Roma Antiga durante toda a sua existência? Quantos se reproduziram com "não etruscos" ou "não romanos"? Quantos povos "bárbaros" invadiram Roma? O que é ser "italiano"?
Ao buscar tais respostas fica claro o absurdo da xenofobia. Esse é só o exemplo italiano. Ainda retomemos a unificação tardia do país. Quais interesses fizeram com que em 1871 a Itália fosse unificada? A resposta é simples, pois reflete o ocorrido na maioria dos países: interesses comerciais e políticos. No caso italiano, Piemonte - reino industrializado e o mais rico - patrocinou a unificação "por cima" (aliança entre monarquistas e burgueses industriais), a velha ordem de mãos dadas com a nova (como ocorreu por aqui), onde Cavour (primeiro ministro de Piemonte e representate da burguesia industrial) fez alianças com Estados vizinhos, com o rei francês Napoleão III e acabou selando a unificação ao colocar o rei Vitor Manuel II no trono do novo país. Troca de "favores" deslavada.
Assim a unificação tomou seu corpo, ainda sim a amada Roma estava fora do território italiano. Com o patrocínio da burguesia local e de Estados vizinhos, que viam com maus olhos o agitamento político (anti-monarquista) no sul da Itália, diversas revoltas foram combatidas e em 1871 a Itália já contava com a cidade de Roma e Veneza. Mas foi só em 1929, partido fascista já no poder, que o Vaticano "aceitou" a nova Itália.
Imaginem, um dia você é de um lugar, busca sua identidade nas pessoas com que convive e no mundo a sua volta. No outro, você é "italiano" herdeiro da tradição etrusca. Uma verdadeira piada, que logicamente veio acompanhada das mais diversas obras intelectuais que comprovassem a tal herança - intelectuais precisam ser patrocinados, idéias não enchem a barriga! E os patrocinadores da unificação não entraram para perder. Outro ingrediente que é recorrente nas unificações dos chamados Estados Modernos é a guerra - vide unificação italiana e a guerra contra o Império Austríaco. Essa foi a farsa do Risorgimento italiano - link para texto sobre Gramsci (estudou a fundo o período) e o Risorgimento.
Ao analisar a história é possível ver a sua construção e seu movimento, deixando claro que nem sempre o que é dito e propagandeado condiz com a realidade. A Europa, como todos os outros continentes, também é uma "mistureba danada". Pensemos até em nossas próprias famílias, quantos de nossos ascendentes foram imigrantes? Inúmeros. O nacionalismo acaba se tornando um conceito burro, pois foi fruto de uma construção minuciosa que ligou fatos históricos para buscar uma identidade nacional até então inexistente. Com isso, diminuir alguém por ser de outro país (também uma construção) é uma grande estupidez. No fim, acabamos todos "palestinos".
Vítima de preconceito na Itália, hoje de Berlusconi e ontem de Mussolini, o jogador brasileiro Amauri (centroavante da Juventus de Turim) declarou em entrevista à revista semanal Gioia:
"Também aconteceu comigo. Faz algum tempo, em uma loja me acusaram de ter tentado roubar uma baguete de pães. Eu estava apoiando [a baguete] sobre uma plataforma perto da saída, a porta automática se abriu e a dona queria chamar a polícia. Eu não havia feito nada, simplesmente era estrangeiro e não falava um italiano perfeito"
Para quem tem memória e um pouco de bom senso é no mínimo absurdo qualquer ato de xenofobia. A Itália, por exemplo, foi unificada em 1871. Até então não existia o idioma italiano e muito menos um cidadão italiano. Berlusconi, a exemplo de Mussolini, retoma um "mito fundador" italiano, no qual a Itália é herdeira direta dos etruscos - povo fundador de Roma. Isso é no mínimo estúpido se colocarmos a cabeça pra trabalhar. Vamos lá, quantos "não etruscos" passaram pela Roma Antiga durante toda a sua existência? Quantos se reproduziram com "não etruscos" ou "não romanos"? Quantos povos "bárbaros" invadiram Roma? O que é ser "italiano"?
Ao buscar tais respostas fica claro o absurdo da xenofobia. Esse é só o exemplo italiano. Ainda retomemos a unificação tardia do país. Quais interesses fizeram com que em 1871 a Itália fosse unificada? A resposta é simples, pois reflete o ocorrido na maioria dos países: interesses comerciais e políticos. No caso italiano, Piemonte - reino industrializado e o mais rico - patrocinou a unificação "por cima" (aliança entre monarquistas e burgueses industriais), a velha ordem de mãos dadas com a nova (como ocorreu por aqui), onde Cavour (primeiro ministro de Piemonte e representate da burguesia industrial) fez alianças com Estados vizinhos, com o rei francês Napoleão III e acabou selando a unificação ao colocar o rei Vitor Manuel II no trono do novo país. Troca de "favores" deslavada.
Assim a unificação tomou seu corpo, ainda sim a amada Roma estava fora do território italiano. Com o patrocínio da burguesia local e de Estados vizinhos, que viam com maus olhos o agitamento político (anti-monarquista) no sul da Itália, diversas revoltas foram combatidas e em 1871 a Itália já contava com a cidade de Roma e Veneza. Mas foi só em 1929, partido fascista já no poder, que o Vaticano "aceitou" a nova Itália.
Imaginem, um dia você é de um lugar, busca sua identidade nas pessoas com que convive e no mundo a sua volta. No outro, você é "italiano" herdeiro da tradição etrusca. Uma verdadeira piada, que logicamente veio acompanhada das mais diversas obras intelectuais que comprovassem a tal herança - intelectuais precisam ser patrocinados, idéias não enchem a barriga! E os patrocinadores da unificação não entraram para perder. Outro ingrediente que é recorrente nas unificações dos chamados Estados Modernos é a guerra - vide unificação italiana e a guerra contra o Império Austríaco. Essa foi a farsa do Risorgimento italiano - link para texto sobre Gramsci (estudou a fundo o período) e o Risorgimento.
Ao analisar a história é possível ver a sua construção e seu movimento, deixando claro que nem sempre o que é dito e propagandeado condiz com a realidade. A Europa, como todos os outros continentes, também é uma "mistureba danada". Pensemos até em nossas próprias famílias, quantos de nossos ascendentes foram imigrantes? Inúmeros. O nacionalismo acaba se tornando um conceito burro, pois foi fruto de uma construção minuciosa que ligou fatos históricos para buscar uma identidade nacional até então inexistente. Com isso, diminuir alguém por ser de outro país (também uma construção) é uma grande estupidez. No fim, acabamos todos "palestinos".
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A verdadeira face da Folha de São Paulo
Texto retirado do sítio http://www.revistaforum.com.br/
por Hamilton Octavio de Souza - jornalista e professor da PUC-SP
25.02.2009
Depois de cometer um erro político histórico imperdoável e de agredir grosseiramente seus leitores – inclusive dois respeitados professores universitários e intelectuais - a Folha de S. Paulo – o jornal diário brasileiro de maior tiragem – tem sido alvo de justo e indignado protesto democrático, por meio de cartas, mensagens na internet e abaixo-assinados. Poucas vezes um jornal foi tão repudiado nos últimos tempos, embora tenha deixado de publicar em suas páginas as inúmeras manifestações de pessoas e entidades.
Primeiro, no dia 17 de fevereiro, em um editorial raivoso contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamado o tempo todo de “ditador”, o jornal se referiu à ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) pela alcunha de “ditabranda”, como se os 21 anos de terror do Estado vivido pelo povo brasileiro pudesse ser amenizado ou apagado da história.
Segundo, nos dias seguintes a redação do jornal contestou leitores que prostetaram contra o termo “ditabranda” dizendo que a ditadura brasileira não havia atingido níveis de violência como outras ditaduras na região – mais uma vez para amenizar e minimizar o estrago do regime que vitimou o Brasil de 1964 a 1985 e que deixou feridas não cicatrizadas e danos políticos, econômicos e sociais não superados até hoje.
Terceiro, em nota sobre as várias cartas enviadas para a coluna dos leitores, o jornal chama de “cínica e mentirosa” a legítima e corajosa indignação dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victória Benevides, ambos da USP, conhecidos e respeitados por seu brilhante trabalho acadêmico e sua intensa militância democrática.
Essa “Nota da Redação”, no dia 20 de fevereiro, serviu como estopim em pleno Carnaval: em poucas horas, inúmeros protestos e abaixo-assinados começaram a circular na internet, inclusive cópias de cartas e de mensagens enviadas à própria Folha de S. Paulo – todas contendo manifestações indignadas contra a distorção histórica do jornal e contra o tratamento autoritário e desrespeitoso dado aos seus leitores.
Ao mesmo tempo foram veiculados em diferentes sites e blogs de jornalistas políticos notas e artigos sobre a própria trajetória histórica da Folha de S. Paulo, lembrando que o jornal apoiou o golpe de 1964, colaborou com a ditadura civil-militar, emprestou carros para o transporte de prisioneiros e torturados da Oban-Doi-Codi, entregou o controle do jornal Folha da Tarde para policiais ligados à repressão política e defendeu a candidatura do general “linha dura” Silvio Frota – no momento em que a sociedade brasileira lutava pela redemocratizaçã o do País.
Na verdade, entre os jornalões da grande imprensa empresarial burguesa, a Folha de S. Paulo tem sido o mais eficiente na arte da enganação de seus leitores e admiradores – em especial daqueles que desde o início dos anos 80 consideram o diário paulistano um veículo mais democrático e mais aberto às idéias progressistas do que os seus concorrentes O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Zero Hora, Correio Braziliense e outros de menor expressão.
Puro engano. O marketing do jornal incorporou a exploração do projeto de distensão da ditadura como um ingrediente para alavancar as vendas, ampliar o leque de sustentação política ao jornal (“à esquerda do Estadão”) e “limpar a barra” de sua ligação íntima com a ditadura civil-militar.
Fez parte desse esquema de marketing a abertura das páginas de opinião do jornal para articulistas e colaboradores do campo democrático durante algum tempo e o apoio ao movimento das eleições diretas, em 1984 – quando a Folha de S. Paulo superou seus concorrentes em tiragem e vendas.
No entanto, qualquer observação mais cuidadosa das páginas do jornal, hoje, permitirá identificar que a grande maioria dos articulistas e colaboradores está organicamente vinculada ao pensamento de direita, neoliberal – entre os quais vários empresários, executivos de multinacionais, acadêmicos conservadores e jornalistas confessadamente alinhados com o pensamento dominante. A Folha de S. Paulo não é nem de longe um jornal democrático, muito menos um jornal que tenha a ver com as lutas dos trabalhadores e com as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais que o povo brasileiro precisa e merece.
A verdadeira face da Folha ainda tem a ver com a ditadura civil-militar de 1964-1985, que só é “ditabranda” nos editoriais do próprio jornal.
por Hamilton Octavio de Souza - jornalista e professor da PUC-SP
25.02.2009
Depois de cometer um erro político histórico imperdoável e de agredir grosseiramente seus leitores – inclusive dois respeitados professores universitários e intelectuais - a Folha de S. Paulo – o jornal diário brasileiro de maior tiragem – tem sido alvo de justo e indignado protesto democrático, por meio de cartas, mensagens na internet e abaixo-assinados. Poucas vezes um jornal foi tão repudiado nos últimos tempos, embora tenha deixado de publicar em suas páginas as inúmeras manifestações de pessoas e entidades.
Primeiro, no dia 17 de fevereiro, em um editorial raivoso contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamado o tempo todo de “ditador”, o jornal se referiu à ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) pela alcunha de “ditabranda”, como se os 21 anos de terror do Estado vivido pelo povo brasileiro pudesse ser amenizado ou apagado da história.
Segundo, nos dias seguintes a redação do jornal contestou leitores que prostetaram contra o termo “ditabranda” dizendo que a ditadura brasileira não havia atingido níveis de violência como outras ditaduras na região – mais uma vez para amenizar e minimizar o estrago do regime que vitimou o Brasil de 1964 a 1985 e que deixou feridas não cicatrizadas e danos políticos, econômicos e sociais não superados até hoje.
Terceiro, em nota sobre as várias cartas enviadas para a coluna dos leitores, o jornal chama de “cínica e mentirosa” a legítima e corajosa indignação dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victória Benevides, ambos da USP, conhecidos e respeitados por seu brilhante trabalho acadêmico e sua intensa militância democrática.
Essa “Nota da Redação”, no dia 20 de fevereiro, serviu como estopim em pleno Carnaval: em poucas horas, inúmeros protestos e abaixo-assinados começaram a circular na internet, inclusive cópias de cartas e de mensagens enviadas à própria Folha de S. Paulo – todas contendo manifestações indignadas contra a distorção histórica do jornal e contra o tratamento autoritário e desrespeitoso dado aos seus leitores.
Ao mesmo tempo foram veiculados em diferentes sites e blogs de jornalistas políticos notas e artigos sobre a própria trajetória histórica da Folha de S. Paulo, lembrando que o jornal apoiou o golpe de 1964, colaborou com a ditadura civil-militar, emprestou carros para o transporte de prisioneiros e torturados da Oban-Doi-Codi, entregou o controle do jornal Folha da Tarde para policiais ligados à repressão política e defendeu a candidatura do general “linha dura” Silvio Frota – no momento em que a sociedade brasileira lutava pela redemocratizaçã o do País.
Na verdade, entre os jornalões da grande imprensa empresarial burguesa, a Folha de S. Paulo tem sido o mais eficiente na arte da enganação de seus leitores e admiradores – em especial daqueles que desde o início dos anos 80 consideram o diário paulistano um veículo mais democrático e mais aberto às idéias progressistas do que os seus concorrentes O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Zero Hora, Correio Braziliense e outros de menor expressão.
Puro engano. O marketing do jornal incorporou a exploração do projeto de distensão da ditadura como um ingrediente para alavancar as vendas, ampliar o leque de sustentação política ao jornal (“à esquerda do Estadão”) e “limpar a barra” de sua ligação íntima com a ditadura civil-militar.
Fez parte desse esquema de marketing a abertura das páginas de opinião do jornal para articulistas e colaboradores do campo democrático durante algum tempo e o apoio ao movimento das eleições diretas, em 1984 – quando a Folha de S. Paulo superou seus concorrentes em tiragem e vendas.
No entanto, qualquer observação mais cuidadosa das páginas do jornal, hoje, permitirá identificar que a grande maioria dos articulistas e colaboradores está organicamente vinculada ao pensamento de direita, neoliberal – entre os quais vários empresários, executivos de multinacionais, acadêmicos conservadores e jornalistas confessadamente alinhados com o pensamento dominante. A Folha de S. Paulo não é nem de longe um jornal democrático, muito menos um jornal que tenha a ver com as lutas dos trabalhadores e com as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais que o povo brasileiro precisa e merece.
A verdadeira face da Folha ainda tem a ver com a ditadura civil-militar de 1964-1985, que só é “ditabranda” nos editoriais do próprio jornal.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Netanyahu vence - Chora a Palestina!
De acordo com nota emitida pelo gabinete do presidente Shimon Peres:
"O presidente tomou sua decisão no que diz respeito à formação do governo e a presidência convocará o deputado Benjamin Netanyahu (...) para lhe confiar esta tarefa"
Como previsto, vitória da direita no parlamento. O direitista Likud (partido de Netanyahu) conseguiu um total de 65 cadeiras , isso através de coalizões com partidos de ultra-direita e de judeus ortodoxos. Essa guinada à direita só aumentará a instabilidade na região, tanto dentro quanto fora de Israel. Assim, árabes israelenses sofrerão as consequencias no país e árabes palestinos fora dele.
Ao contrário da centrista Livni (Kadima) que apresenta um discurso de paz entre dois Estados, Palestina e Israel, o líder do Likud não abre mão da hegemonia israelita na região. Defende a supremacia judaica de povo escolhido por Deus. Porém, não podemos nos enganar com esse discurso de Livni, ela, atual ministra das relações exteriores, apoiou a última ofensiva sobre Gaza e tem opinião parecida com Netanyahu quando o assunto é o Hamas. Negociaria paz com o Fatah, para o Hamas sobrariam manifestações de poder militar e mais mortes na região. Vale lembrar que o Hamas foi eleito em 2006, mas desde então o Fatah não reconhece seu governo e mantém conflitos armados contra o grupo. Livni, com 28 cadeiras, formará a oposição no parlamento de Israel.
Quando compôs governo, entre 1996 e 1999, Bibi Netanyahu ignorou acordos de paz e retomou em grande escala a formação de colônias israelenses em território palestino. Assim, podemos esperar uma nova ofensiva em Gaza e a não retirada das colônias judaicas na Cisjordânia. O plano de varrer árabes continuará. Até quando o mundo ficará de braços cruzados a esse "novo" "apartheid"?
"O presidente tomou sua decisão no que diz respeito à formação do governo e a presidência convocará o deputado Benjamin Netanyahu (...) para lhe confiar esta tarefa"
Como previsto, vitória da direita no parlamento. O direitista Likud (partido de Netanyahu) conseguiu um total de 65 cadeiras , isso através de coalizões com partidos de ultra-direita e de judeus ortodoxos. Essa guinada à direita só aumentará a instabilidade na região, tanto dentro quanto fora de Israel. Assim, árabes israelenses sofrerão as consequencias no país e árabes palestinos fora dele.
Ao contrário da centrista Livni (Kadima) que apresenta um discurso de paz entre dois Estados, Palestina e Israel, o líder do Likud não abre mão da hegemonia israelita na região. Defende a supremacia judaica de povo escolhido por Deus. Porém, não podemos nos enganar com esse discurso de Livni, ela, atual ministra das relações exteriores, apoiou a última ofensiva sobre Gaza e tem opinião parecida com Netanyahu quando o assunto é o Hamas. Negociaria paz com o Fatah, para o Hamas sobrariam manifestações de poder militar e mais mortes na região. Vale lembrar que o Hamas foi eleito em 2006, mas desde então o Fatah não reconhece seu governo e mantém conflitos armados contra o grupo. Livni, com 28 cadeiras, formará a oposição no parlamento de Israel.
Quando compôs governo, entre 1996 e 1999, Bibi Netanyahu ignorou acordos de paz e retomou em grande escala a formação de colônias israelenses em território palestino. Assim, podemos esperar uma nova ofensiva em Gaza e a não retirada das colônias judaicas na Cisjordânia. O plano de varrer árabes continuará. Até quando o mundo ficará de braços cruzados a esse "novo" "apartheid"?
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O "Mundo Segundo a Monsanto" legendado

Segue link para o documentário da jornalista francesa Marie-Monique Robin. O filme, baseado no livro de mesmo nome, investiga o que está por trás da engenharia genética aplicada aos alimentos. Mostra não só as "maracutaias" armadas pela Monsanto para ter seus produtos aprovados sem os devidos testes, mas também retrata a devastação social que tais produtos provocam no campo. Muitos pequenos agricultores não tem condições de arcar com os custos dos herbicidas necessários para cultivar os trangênicos, na Índia mais de mil pequenos agricultores se suicidaram por não conseguirem bancar a produção. Outro ponto importante é o fato de uma única empresa ter controle de mais de 90% do mercado de sementes do mundo. Se por acaso a sua planta "cruzou" com uma transgênica devido a ação dos ventos, a nova semente transgênica será de propriedade da Monsanto e você deverá pagar royalties à ela.
Essa é uma empresa especializada em química, que assim como a Bayer, partiu para o ramo dos alimentos com um plano bem estruturado, algo passível de filme sobre teoria da conspiração. Simplesmente, é impossivel frear a proliferação dos trangenicos através da natureza, e isso a Monsanto sabe. Vale a pena assistir a esse belo trabalho de investigação que passa por EUA, Índia, México, Argentina e Brasil. Ainda mostra documentos e provas concretas contra a Monsanto, como manda o "bom jornalismo". Só a narrativa através do PC e internet que pode causar cara feia em alguns, mas isso não compromete nem um pouco a seriedade do trabalho - foi só um recurso técnico pra tornar a coisa mais interessante. Assistam e pensem a respeito. Nosso alimento está acabando, essa é a mais pura verdade. Os grãos naturais são cada vez mais substituídos por transgênicos. Esses grãos mutantes e seus herbicidas especiais podem estar diretamente ligados ao aumento nos casos de câncer e parkinson entre agricultores. Na Europa, colocaram um selo nos produtos que contém transgênicos, por aqui você nem escolha tem. E o governo brasileiro já aprovou algumas espécies de soja e milho mutantes, isso pode levar ao fim da diversidade alimentícia e ao fim dos alimentos livres de engenharia genética. Então, vem as mulheres da "Via Campesina" destruindo laboratórios de pesquisa transgênica e a imprensa brasileira as retrata como criminosas. Qual seria o verdadeiro crime? Quem está defendendo a sua saúde? Para pensar...
Documentário dividido em 12 partes. Segue o link:
Mundo Segundo a Monsanto
Veja também:
Entrevista realizada pela revista "Época" com a autora do livro e documentário
Essa é uma empresa especializada em química, que assim como a Bayer, partiu para o ramo dos alimentos com um plano bem estruturado, algo passível de filme sobre teoria da conspiração. Simplesmente, é impossivel frear a proliferação dos trangenicos através da natureza, e isso a Monsanto sabe. Vale a pena assistir a esse belo trabalho de investigação que passa por EUA, Índia, México, Argentina e Brasil. Ainda mostra documentos e provas concretas contra a Monsanto, como manda o "bom jornalismo". Só a narrativa através do PC e internet que pode causar cara feia em alguns, mas isso não compromete nem um pouco a seriedade do trabalho - foi só um recurso técnico pra tornar a coisa mais interessante. Assistam e pensem a respeito. Nosso alimento está acabando, essa é a mais pura verdade. Os grãos naturais são cada vez mais substituídos por transgênicos. Esses grãos mutantes e seus herbicidas especiais podem estar diretamente ligados ao aumento nos casos de câncer e parkinson entre agricultores. Na Europa, colocaram um selo nos produtos que contém transgênicos, por aqui você nem escolha tem. E o governo brasileiro já aprovou algumas espécies de soja e milho mutantes, isso pode levar ao fim da diversidade alimentícia e ao fim dos alimentos livres de engenharia genética. Então, vem as mulheres da "Via Campesina" destruindo laboratórios de pesquisa transgênica e a imprensa brasileira as retrata como criminosas. Qual seria o verdadeiro crime? Quem está defendendo a sua saúde? Para pensar...
Documentário dividido em 12 partes. Segue o link:
Mundo Segundo a Monsanto
Veja também:
Entrevista realizada pela revista "Época" com a autora do livro e documentário
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Manu Chao - Show de Sampa - 11/02/09

E Manu Chao está de volta! Após mais de 2 anos longe dos palcos brasileiros, o show de São Paulo, Espaço das Américas, marcou a primeira apresentação da nova turnê "La Radiolina + Radio Bemba" no Brasil, serão 7. O "franco-espanhol" (filho de espanhóis que fugiram da ditadura de Franco, refugiando-se na França) e sua trupe cosmopolita ainda passarão por Salvador (13), Aracaju (14), Brasília (16), Curitiba (17), Rio de Janeiro (19) e Balneário Camboriú (20). Como de costume nos últimos anos, Manu se apresentou com a sua Radio Bemba dos talentosos: David Bourguignon (bateria), Gambeat (baixo), Madjid (guitarra), Philippe "Garbancito" Teboul (percussão), Julio Lobos (teclados) e Angelo Mancini (trompete).
Manu e banda aprovaram. As mais de 2 horas e meia de show não me deixam mentir e tornam a tarefa de enumerar canção por canção praticamente impossível. Mejor asi! A ordem não importa, aliás, ordem é justamente o que não combina com o ocorrido na noite de ontem. Caos! Uma desordem harmoniosa. Para variar, elementos dançantes, pulantes, gritantes e socantes todos rebatendo o som dos instrumentos daqueles que tornaram a festa possível e inesquecível, um organismo independente. Letras carregadas de sentimentos, temas políticos e sociais foram cantadas em espanhol, português, inglês e francês combinadas com a mistura sonora que passa pela rumba, mambo, reggae, flamenco, bolero e cai num punk rock furioso. Diversos mundos em um só, diversos povos lembrados através da sonoridade da banda e diversos punhos ao ar em tom de protesto! Essa é a passagem até o punk rock, momento em que a fúria entra em cena e contagia os presentes. Quando começa a marcação forte, veloz e cadenciada é hora de lavar a alma e suar todas as tristezas em uma luta que não pode deixar a esperança morrer.
Além do punk rock bem executado, vale destacar a guitarra espanhola (mesmo paletada) tocada por Madjid - conquistou corações e muitas vezes deu o tom da festa. Como também o trompete limpo de Angelo Mancini, que combinado à percurssão de Garbancito (ex-Mano Negra) trouxe a latinidade e o toque metálico necessários para tornar um show do Manu Chao completo. Além disso, deve-se fazer justiça à incansável "cozinha" formada por Gambeat (baixo) e David Bourguignon (bateria), realmente incansáveis. Haja tendão para aguentar tanto tempo de show! O tecladista não ficou pra trás, Julio Lobos mostrou seu talento e resistência, tocou melodias, produziu efeitos, enfim, não daria pra imaginar o show sem a sua presença, pois o que seria de Manu Chao sem as sirenes, bombas, vozes e todos os outros efeitos que se somam aos instrumentos convencionais?
E foi uma festa!
Infinita Tristeza, pero eterna Esperanza!
O repertório passou por faixas do último álbum (La Radiolina-2007) como: Amalucada Vida, Politik Kills e A Cosa. E ainda não deixou faltar outros sucessos da carreira do "franco-espanhol-latino-americano-cidadão-do-mundo", até rolaram algumas versões do Mano Negra (antiga banda de Manu) para os mais nostálgicos - como Mala Vida e Casa Babylon. A banda abriu com El Hoyo, do último álbum. De início o público já se animou com esse músico que vem do "hoyo (buraco) de la gran ciudad" e sabe dar uma festa como poucos. Uma festa de alegria e melancolia, a Infinita Tristeza ao lado da eterna Esperanza! Tristeza pela situação mundial. Esperança por um bom futuro.
E foi assim, mesclando letras e melodias tristes com ritmos fortes e dançantes a apresentação nunca perdeu seu principal fio condutor, a alegria melancólica daqueles que vivem num mundo desconcertado e anseiam por mudanças sociais e políticas. Mundo onde um ser humano pode ser ilegal - Clandestino. Onde existe uma Tijuana arrasada, "playground" para turistas liberarem seus impulsos "baconianos" e depois voltarem pra casa, pro conforto do lar. Deixam a cidade em ruínas, o próprio Estado mexicano faz vista grossa e deixa o território à mercê do narcotráfico e da prostituição - uma terra de bandidos e balaços. Manu cantou tudo isso.
Manu e banda aprovaram. As mais de 2 horas e meia de show não me deixam mentir e tornam a tarefa de enumerar canção por canção praticamente impossível. Mejor asi! A ordem não importa, aliás, ordem é justamente o que não combina com o ocorrido na noite de ontem. Caos! Uma desordem harmoniosa. Para variar, elementos dançantes, pulantes, gritantes e socantes todos rebatendo o som dos instrumentos daqueles que tornaram a festa possível e inesquecível, um organismo independente. Letras carregadas de sentimentos, temas políticos e sociais foram cantadas em espanhol, português, inglês e francês combinadas com a mistura sonora que passa pela rumba, mambo, reggae, flamenco, bolero e cai num punk rock furioso. Diversos mundos em um só, diversos povos lembrados através da sonoridade da banda e diversos punhos ao ar em tom de protesto! Essa é a passagem até o punk rock, momento em que a fúria entra em cena e contagia os presentes. Quando começa a marcação forte, veloz e cadenciada é hora de lavar a alma e suar todas as tristezas em uma luta que não pode deixar a esperança morrer.
Além do punk rock bem executado, vale destacar a guitarra espanhola (mesmo paletada) tocada por Madjid - conquistou corações e muitas vezes deu o tom da festa. Como também o trompete limpo de Angelo Mancini, que combinado à percurssão de Garbancito (ex-Mano Negra) trouxe a latinidade e o toque metálico necessários para tornar um show do Manu Chao completo. Além disso, deve-se fazer justiça à incansável "cozinha" formada por Gambeat (baixo) e David Bourguignon (bateria), realmente incansáveis. Haja tendão para aguentar tanto tempo de show! O tecladista não ficou pra trás, Julio Lobos mostrou seu talento e resistência, tocou melodias, produziu efeitos, enfim, não daria pra imaginar o show sem a sua presença, pois o que seria de Manu Chao sem as sirenes, bombas, vozes e todos os outros efeitos que se somam aos instrumentos convencionais?
E foi uma festa!
Infinita Tristeza, pero eterna Esperanza!
O repertório passou por faixas do último álbum (La Radiolina-2007) como: Amalucada Vida, Politik Kills e A Cosa. E ainda não deixou faltar outros sucessos da carreira do "franco-espanhol-latino-americano-cidadão-do-mundo", até rolaram algumas versões do Mano Negra (antiga banda de Manu) para os mais nostálgicos - como Mala Vida e Casa Babylon. A banda abriu com El Hoyo, do último álbum. De início o público já se animou com esse músico que vem do "hoyo (buraco) de la gran ciudad" e sabe dar uma festa como poucos. Uma festa de alegria e melancolia, a Infinita Tristeza ao lado da eterna Esperanza! Tristeza pela situação mundial. Esperança por um bom futuro.
E foi assim, mesclando letras e melodias tristes com ritmos fortes e dançantes a apresentação nunca perdeu seu principal fio condutor, a alegria melancólica daqueles que vivem num mundo desconcertado e anseiam por mudanças sociais e políticas. Mundo onde um ser humano pode ser ilegal - Clandestino. Onde existe uma Tijuana arrasada, "playground" para turistas liberarem seus impulsos "baconianos" e depois voltarem pra casa, pro conforto do lar. Deixam a cidade em ruínas, o próprio Estado mexicano faz vista grossa e deixa o território à mercê do narcotráfico e da prostituição - uma terra de bandidos e balaços. Manu cantou tudo isso.
Bienvenida a Tijuana (Clandestino-1998) emocionou. Isqueiros ao ar e muitos entendem a mensagem, uma pena que tantos outros claramente não estavam entendendo muita coisa e só queriam encarnar nos mesmos turistas que vão a Tijuana. "Bienvenida mamacita/ I'm in ruta Babylon/Bienvenida la juana/Tequila, sexo, marihuana", Infinita Tristeza!
Cantando os desconcertos da América Latina, seus personagens e sentimentos (também pessoais) , Manu se expressa e se entrega por inteiro. Ele que com suas andanças já se tornou uma parte da rica região, verdadeiro catador de sonhos. Seja com o Peligro cantado acerca dos bairros da Guatemala e Nicaragua, ou com a dominante Mentira (ou seria "mentira dominante"?), não importa, todos os sons e palavras ecoam nos quatro cantos, tocam tanto latinos quanto palestinos e africanos, simplesmente abrigam todos os mundos do planeta. O neoliberalismo e sua competição voraz derrubou as fronteiras do mercado, mas ergueu fronteiras entre os homens e semeou insegurança. Manu enxerga e grita socorro em meio a solidão coletiva que vivemos na cidade cinza. Por isso, "Hey Bob Marley! Sing something good to me/ this world go crazy/ its an emergency" E Mr.Bobby fez todo mundo cantar, o hit é conhecido e até os mais perdidos tinham tudo na ponta da língua. Palavras que reúnem a tristeza, o desespero, mas não calam a voz da esperança. A festa ficou ainda mais bonita.
Ali, logo de cara, quando todos se colocaram a dançar e pular teve ínicio um verdadeiro baile de calaveras, uma celebração de iguais e pela memória dos esquecidos. Não importa o que estavam vestindo, sua preferencia sexual, sua cor de pele. Do pó e para o pó, somos apenas humanos e sangramos todos. Essa era a consciência a ser atingida, ela estava lá, pairando no ar sobre as cabeças dos mais de 7 mil esqueletos que chacoalharam os ossos até quase caírem esgotados. Essa herança Manu traz do México e da maneira com que esse povo lida com a morte, da percepção de que ela é apenas uma parte da vida, a parte que nos traz a certeza de sermos iguais, apenas comida de vermes. E todos bailaram Lo Peor de la Rumba, a Rumba de Barcelona e La Despedida tudo na sequência, difícil não cair no ritmo.
Assim, contagiados e extasiados, os paulistanos, bolivianos, espanhóis, alemães, mexicanos e toda a "Torre de Babel" reunida ontem celebrou a vida e a morte, a tristeza e a alegria. Tudo reunido em um coração que não cansa de bater, e Manu batia o microfone no peito incontáveis vezes. Eram batimentos cardíacos daquele que é consciente do mundo em que vive, escreve, viaja, busca um ideal e luta, mas sempre em ritmo de festa e com o coração aberto. E ele agradeceu inúmeras vezes, não queria deixar o palco, sempre voltava para mais. No fim, todos deveríamos ter agradecido a ele e a banda pelo acontecido. Em tempos de crise nesse mundo tão insensato, esses músicos trazem um lampejo de esperança consigo. Então, que dancemos, pensemos e agradeçamos. Manu y Radio Bemba, Me Gustas Tu! Gracias!
Assim, contagiados e extasiados, os paulistanos, bolivianos, espanhóis, alemães, mexicanos e toda a "Torre de Babel" reunida ontem celebrou a vida e a morte, a tristeza e a alegria. Tudo reunido em um coração que não cansa de bater, e Manu batia o microfone no peito incontáveis vezes. Eram batimentos cardíacos daquele que é consciente do mundo em que vive, escreve, viaja, busca um ideal e luta, mas sempre em ritmo de festa e com o coração aberto. E ele agradeceu inúmeras vezes, não queria deixar o palco, sempre voltava para mais. No fim, todos deveríamos ter agradecido a ele e a banda pelo acontecido. Em tempos de crise nesse mundo tão insensato, esses músicos trazem um lampejo de esperança consigo. Então, que dancemos, pensemos e agradeçamos. Manu y Radio Bemba, Me Gustas Tu! Gracias!
Eduardo Galeano: Sensatez acerca de Gaza
O escritor uruguaio Eduardo Galeano publicou um belo artigo de opinião em 16/01/09 sobre o atual massacre sionista em Gaza. Mais uma voz sensata nessa imensidão de "sem razão". O texto se encontra em vários portais, entre eles o Brecha Digital e o Kaosenlared. A tradução para o português feita por Katarina Peixoto se encontra no blog RS Urgente e a copio abaixo:
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Eleições em Israel - possivel vitória da direita
Hoje é dia de eleições (parlamentares) para premiê em Israel e Benjamin Netanyahu, do Likud (partido conservador de direita), tem grandes chances de ser nomeado. Isso, pois mesmo com um empate técnico com o Likuma (partido centrista e situação), da chanceler Tzipi Livni, o Likud tem maiores chances de formar uma grande coalizão e tomar as 61 cadeiras necessárias para ter seu premiê eleito. O partido de direita deve formar coalizão com os ultradireitistas do Yisrael Beiteinu (3° maior partido) e com partidos religiosos . Com isso, mesmo se o Kadima conseguir mais cadeiras de ínicio, perderia na formação de coalizão. Sendo assim, o partido eleito popularmente não seria aquele a governar junto ao presidente Shimon Peres. Essa guinada para direita mostra o embrutecimento da população de Israel e o desejo pela limpeza étnica na Palestina.
Os israelenses, em sua maioria, apoiaram a ofensiva em Gaza e continuam querendo o fim do "Hamas" através de ações militares. Sentem-se ameaçados pelos foguetes disparados contra o Estado de Israel. Foguetes que dificilmente atingem algo, parecem mais um grito de desespero e ódio. Tal sentimento não nasceu ontem. Não foi há poucos anos que "árabes fundamentalistas" se armaram contra Israel. Não foi por acaso, pois a história de Israel caminha em conjunto com a limpeza étnica dos árabes da Palestina.
Tudo isso remete ao fato de Israel ser um Estado Judeu, onde o "povo escolhido por Javé (Deus)" encontra a continuidade de sua história. Por lá não existe constituição escrita, mas ensinamentos bíblicos. E se você acha que a "guerra santa" é coisa de árabe, atenção para esses trechos:
"Não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de diante de vós. Eu Javé, vosso Deus, vos separei desses povos. Fareis distinção entre o animal puro e o impuro. Não vos torneis vós mesmos imundos como animais, aves e tudo o que rasteja sobre a terra" Levítico, 20, 23-25.
"Javé ferirá todos os povos que combateram contra Jerusalém: ele fará apodrecer sua carne, enquanto estão ainda de pé, os seus olhos apodrecerão em suas órbitas, e a sua língua apodrecerá em sua boca" Zacarias, 14, 12-15
Apoiado em tais fundamentos, no final dos anos 1930 ,Ben Gurion sentenciou: “Depois da formação de um grande exército, na esteira do estabelecimento de nosso Estado, nós aboliremos a partilha e expandiremos nosso Estado para toda a Palestina”.
Assim, desde o príncipio que tal higienização está programada - como mostra o historiador Ilan Pappe no vídeo da postagem abaixo. E a limpeza não se limita em um Estado atacar um povo sem Estado. Pelo contrário, dentro de Israel, um Estado Judeu, para ser cidadão legítimo é preciso confirmar a herança consanguinea. Com isso, árabes israelenses, cerca de 20% da população (1,3 milhões) são considerados cidadãos de segunda classe. Alguns bairros do país não aceitam cidadãos de "segunda classe" como moradores. Medidas como essa praticamente forçam a fuga de tais árabes para um território onde sua presença seja melhor aceita. E esse é o plano, desde a fundação de Israel em 1948.
Mas por que o mundo se cala?
Nem mesmo as milhões de pessoas que protestaram contra a ofensiva sobre Gaza, no mundo todo, conseguiram com que a diplomacia internacional pusesse um fim nesse exterminio contínuo que já dura anos. Mas por que? Por que chefes de Estado das nações onde aconteceram os protestos não tomaram medidas? Somente Hugo Chávez expulosu o embaixador de Israel da Venezuela. A resposta é simples e triste. O mundo vive hoje uma lógica Estatal e cruel, onde Estados, quando se sentirem ameaçados, tem o direito de atacar povos indiscriminadamente. Os direitos dos povos praticamente inexistem, pois "a vida fora do Estado não é possivel" como diria Hobbes. Essa é a regra da diplomacia e das Relações Internacionais atuais, ou seja, palestinos não tem direito a nada. Assim, caberiam as grandes potências essa regulação da ordem internacional vigente, mas elas se calam.
Talvez, somente a maior potência mundial, EUA, pudesse intervir com êxito na situação. Dificilmente isso irá acontecer, talvez nem com Obama, pois EUA e Israel sempre andaram juntos. O Estado Judeu, para os americanos, representa um ponto estratégico no Oriente Médio. Essa é a justificativa para Israel ser o maior receptor de ajuda ianque, inclusive e principalmente, no campo militar. Com isso, os EUA engrossam o coro de que o Hamas ameaça a segurança de Israel. Somente esses dois países podem levar isso a sério, pois é óbvio que o Hamas não tem poder para desestabilizar a ordem israelense. Isso é comprovado com os números das últimas batalhas: 15 israelenses mortos (4 por fogo amigo) contra mais de 1300 palestinos (mulheres e crianças no pacote de horror).
Os povos do mundo protestam, mas os Estados preferem o silêncio. Nessa lógica os povos e a política internacional permanecem separados, com isso, o futuro da humanidade é decidido a portas fechadas. Heil Netanyahu!
Os israelenses, em sua maioria, apoiaram a ofensiva em Gaza e continuam querendo o fim do "Hamas" através de ações militares. Sentem-se ameaçados pelos foguetes disparados contra o Estado de Israel. Foguetes que dificilmente atingem algo, parecem mais um grito de desespero e ódio. Tal sentimento não nasceu ontem. Não foi há poucos anos que "árabes fundamentalistas" se armaram contra Israel. Não foi por acaso, pois a história de Israel caminha em conjunto com a limpeza étnica dos árabes da Palestina.
Tudo isso remete ao fato de Israel ser um Estado Judeu, onde o "povo escolhido por Javé (Deus)" encontra a continuidade de sua história. Por lá não existe constituição escrita, mas ensinamentos bíblicos. E se você acha que a "guerra santa" é coisa de árabe, atenção para esses trechos:
"Não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de diante de vós. Eu Javé, vosso Deus, vos separei desses povos. Fareis distinção entre o animal puro e o impuro. Não vos torneis vós mesmos imundos como animais, aves e tudo o que rasteja sobre a terra" Levítico, 20, 23-25.
"Javé ferirá todos os povos que combateram contra Jerusalém: ele fará apodrecer sua carne, enquanto estão ainda de pé, os seus olhos apodrecerão em suas órbitas, e a sua língua apodrecerá em sua boca" Zacarias, 14, 12-15
Apoiado em tais fundamentos, no final dos anos 1930 ,Ben Gurion sentenciou: “Depois da formação de um grande exército, na esteira do estabelecimento de nosso Estado, nós aboliremos a partilha e expandiremos nosso Estado para toda a Palestina”.
Assim, desde o príncipio que tal higienização está programada - como mostra o historiador Ilan Pappe no vídeo da postagem abaixo. E a limpeza não se limita em um Estado atacar um povo sem Estado. Pelo contrário, dentro de Israel, um Estado Judeu, para ser cidadão legítimo é preciso confirmar a herança consanguinea. Com isso, árabes israelenses, cerca de 20% da população (1,3 milhões) são considerados cidadãos de segunda classe. Alguns bairros do país não aceitam cidadãos de "segunda classe" como moradores. Medidas como essa praticamente forçam a fuga de tais árabes para um território onde sua presença seja melhor aceita. E esse é o plano, desde a fundação de Israel em 1948.
Mas por que o mundo se cala?
Nem mesmo as milhões de pessoas que protestaram contra a ofensiva sobre Gaza, no mundo todo, conseguiram com que a diplomacia internacional pusesse um fim nesse exterminio contínuo que já dura anos. Mas por que? Por que chefes de Estado das nações onde aconteceram os protestos não tomaram medidas? Somente Hugo Chávez expulosu o embaixador de Israel da Venezuela. A resposta é simples e triste. O mundo vive hoje uma lógica Estatal e cruel, onde Estados, quando se sentirem ameaçados, tem o direito de atacar povos indiscriminadamente. Os direitos dos povos praticamente inexistem, pois "a vida fora do Estado não é possivel" como diria Hobbes. Essa é a regra da diplomacia e das Relações Internacionais atuais, ou seja, palestinos não tem direito a nada. Assim, caberiam as grandes potências essa regulação da ordem internacional vigente, mas elas se calam.
Talvez, somente a maior potência mundial, EUA, pudesse intervir com êxito na situação. Dificilmente isso irá acontecer, talvez nem com Obama, pois EUA e Israel sempre andaram juntos. O Estado Judeu, para os americanos, representa um ponto estratégico no Oriente Médio. Essa é a justificativa para Israel ser o maior receptor de ajuda ianque, inclusive e principalmente, no campo militar. Com isso, os EUA engrossam o coro de que o Hamas ameaça a segurança de Israel. Somente esses dois países podem levar isso a sério, pois é óbvio que o Hamas não tem poder para desestabilizar a ordem israelense. Isso é comprovado com os números das últimas batalhas: 15 israelenses mortos (4 por fogo amigo) contra mais de 1300 palestinos (mulheres e crianças no pacote de horror).
Os povos do mundo protestam, mas os Estados preferem o silêncio. Nessa lógica os povos e a política internacional permanecem separados, com isso, o futuro da humanidade é decidido a portas fechadas. Heil Netanyahu!
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